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Cartagena de Yndias

junho 11, 2009

panoramia

Na minha opinião,  Gabriel Garcia Marquez é o melhor escritor do mundo.  Minha opinião.  Isto posto, deixe-me começar a falar de Cartagena:  lá se passam muitos dos melhores romances do melhor escritor do mundo.  Ou seja, antes de descer do avião eu já estava perdidamente apaixonada por essa cidade cercada por uma formidável muralha, onde vive encarcerada a poesia, como se lá dentro o tempo não passasse e a cidade fosse indiferente à passagem dos carros e desse mesmo tempo lá de fora. 

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Fica difícil pensar no século XXI, com aquelas casinhas coloniais e charretes cruzando as ruas estreitas. 

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Faz um calorzinho caribenho, mas tem uma brisa que cria uma atmosfera inebriante, morena, musical, dançante, histórica…gostosa.  Como um cenário de livro do Gabo.

aduana

Assim como Paraty e Tiradentes, Cartagena descobriu um forte apelo turístico dentro de suas muralhas, e de lá somos transportados a outro tempo, outra história, quase uma fantasia. 

 É isso, é uma ilha de fantasia.  Do lado de fora a cidade segue crescendo, tem vida própria, mas lá dentro tudo fica diferente.  Quase dá pra esbarrar em Florentino Ariza e Fermina Daza no Portal dos Dulces. 

Colômbia 2009 153

E pelos corredores do Convento de Santa Clara (atual moderníssimo Hotel Sofitel) pode-se sentir o roçar dos cabelos de Serva Maria, que se apaixonou pelo padre Cayetano Delaura.

santa clara

Voltando ao mundo real, a melhor coisa da cidade é se perder nas ruas cheias de gente colorida e casas cheias de flores. 

Baianas

A  pé podemos descobrir pequenas jóias como ameixas frescas no camelô, uma livraria simpática, a Ábaco,  

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e sabores locais exóticos.

boquete

boneca

sagrado x profano

sagrado x profano

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Nessas andanças apaixonadas fomos atropeladas por um legítimo museu de esmeraldas (calle Don Sancho 36-75), onde o dono encravou um pedaço de rocha cheio de pepitas de esmeraldas, para simular uma mina verdadeira, além de selecionar algumas pedras lapidadas e maravilhosas para exibição (mulheres, não cheguem perto de lá com o cartão de crédito na bolsa, ou a viagem vai ficar caríssima)

esmeralda

Os cartagenenses  a-do-ram casar, é um dos melhores programas locais.  E o curioso é que todo mundo vai de branco: a noiva, o noivo, os padrinhos, os convidados, a charrete…

casamento

charrete

Quando consegui me libertar do transe inicial da chegada, fui visitar Iemanjá. 

Playa Blanca, by Carlota

Playa Blanca, by Carlota

 

 Traduzindo pro turistês: fui fazer um passeio de barco às Ilhas del Rosário, um arquipélago a duas horas de navegação de Cartagena, onde pode-se assistir ao show do Oceanário, ou mergulhar o snorkel na água e nadar com os peixinhos…afinal estamos no Caribe, né?  Sugiro que quem gosta de água transparente e muita vida marinha, ignore o tal show e nade com as atrações.

coralzinho

O mesmo passeio (leva o dia inteiro) desembarca na Playa Blanca para almoço.  FUJA! Corra, Lola, corra.  A comida é ruim demais, parece que somos uma tropa do exército recebendo o rancho.  Devia ter levado um sanduba e ficado na praia (maravilhosa) pegando sol.  É verdade que tem um batalhão de vendedores ambulantes querendo te empurrar qualquer coisinha, mas basta uma palavra mais enérgica que eles desistem. 

O barco já está equipado com tecnologia baiana de entretenimento (axé music marítima)

axe no barco

A cidade amuralhada é tão pequenina que só dá vontade de andar a pé.  Mesmo na night, o que mais se vê é o povo na infantaria e depois se acabando de dançar salsa no complexo bailante-musical do Portal de los Dulces,  formado pelo Donde Fidel (mais popular) e o Tu Candela (mais chique)

fidel

Ou mesmo tomando só um chopinho na Plaza Santo Domingo

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leque

Meu boteco preferido nessa praça ficou sendo o Paco’s, pela boa música (ao vivo) e pela cerveja gelada.

Pacos

Mas não posso desprezar o Crepes & Waffles, no qual eu fiquei viciada.  Não é um restaurante típico ou pitoresco, mas eu enlouquecia com os crepes e toda hora voltava lá.  Baideuêi, essa rede de creperias está presente em toda a Colômbia, e suas funcionárias são todas mães chefes de família.  Muito simpático.

crepes

O Lerê histórico mais importante é o Castillo de San Felipe, uma fortaleza cheia de túneis e labirintos pra criança nenhuma botar defeito

sanfelipe
  
labirinto

Nessa viagem tive a feliz surpresa de encontrar o Arthur, do Agora Vai, e por poucos dias não fizemos a mesma viagem.  A descrição dele da cidade de Cartagena é muito mais real, menos romanceada e muito engraçada, uma delícia de ler.

Pra não dizer que não falei de coisas práticas, vou falar do hotel que nós nos hospedamos, o San Diego  

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  patio hotel  Quarto hotel

Dentro da muralha existem poucas opções de hospedagem: ou são os hotéis de luxo, como o Sofitel Santa Clara ou o El Marqués, ou são albergues bem chinfrins.  Mas o nosso conseguia ser simplinho E honesto, além de muito bem localizado, pertinho do supermercado Exito, onde até fizemos câmbio! Sem falar na atenção toda especial do staff do hotel e ainda estavamos a 5 minutos de caminhada (ou a 5.000 pesos de táxi) de qualquer lugar da cidade.  Até mesmo da praia de Boca Grande…

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A única coisa que eu não gostei em Cartagena.  E olha que eu a-do-ro praia.  Pode ter sido a combinação de prédios gigantescos com areia preta e mar marronzinho

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Ou ainda a chuva torrencial que caiu nesse dia.  Eu procurava o MEU mar do Caribe, com aquelas cores estonteantes e via a praia da Ilha do Governador.  Fiquei a ver navios…

gaivotas

Mas isso não tirou meu ânimo.  Continuo apaixonada pela cidade.  Acho que Cartagena deveria ser o hub do Caribe.  Seria sensacional TER QUE passar por lá pra visitar aqueles mares.  Com certeza eu volto lá, quem sabe pra tomar uma cerveja com o Gabo? Sonhar não custa nada.

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Mais Cartagena aqui.

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Glub glub… San Andrés…glub glub

outubro 13, 2007

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Nossa Senhora dos “Viajadictos” protege mesmo seus devotos: depois da viagem abortada à Buenos Aires, entrei de penetra no pacote de um grupo de mergulhadores que ia espiar o fundo do mar em San Andrés, um lugar com mais de 20 pontos de mergulho autônomo.

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(Praia de San Luis)

San Andrés é uma ilhota do caribe que, junto com Sta. Catalina e Providência foi negociada entre a Nicarágua e Colômbia (ou foi repartida entre eles pelo Tio Sam, sei lá…) em 1927, no meio da confusão pela independência do Panamá.  Por isso,  apesar de estar pertinho da costa nicaragüense e depois do Panamá, ela pertence à Colômbia.

Por conta de uma barreira de corais em toda sua volta, tem um monte de navios encalhados e naufragados lá que fazem a Disneylândia do mergulho, com lajes, paredões e naufrágios (tem até avião embaixo d’agua).  Isso também quer dizer que as praias não tem ondas.

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(paisagem da MINHA varanda

 Na época dos descobrimentos, a ilha era um clubinho de piratas de “sua majestade britânica”, que também usavam o ponto estratégico como entreposto de tráfico de escravos.

Depois da abolição da escravatura, a maioria dos ingleses foi embora, mas deixou lá seu legado cultural e religioso.  Hoje em dia pode-se dizer que a ilha é uma filial musical da Jamaica, que fala espanhol e (ENTRE ELES) um inglês personalizado e ininteligível por anglófonos.

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San Andrés não tem indústria nem escolas de nível superior, mas todo mundo tem casa, saúde, escola básica e transporte gratuito.  A atividade econômica master é, de longe, o turismo, fortemente implementada pelos resorts Decameron.  São 5 hotéis da rede na ilha, e os hóspedes podem se distrair passeando de um pro outro pra curtir o que cada um tem de melhor.  Nós ficamos no Decameron Aquarium, que não é assim nenhuma Brastemp, mas fica literalmente dentro d’agua!  Fiquei encantada!

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Para atrair mais turistas, a ilha transformou-se num imenso free-shop, com preços tentadores e turistas ávidos por compritchas e cassinos.

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 (monumento ao cafona desconhecido: um coqueiro de prástico que pisca à noite)

 

Apesar dos hotéis oferecerem todas as refeições, tem sempre algum rebelde que se aventura em algum  restaurante isleño, onde dá pra comer uma boa (e barata) lagosta.

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A ilha é bem pequena, alugando-se um carrinho elétrico (U$30,00) por três horas, dá pra dar a volta completa.  É uma pena que os tais carrinhos não circulem à noite. A outra opção é pegar um city-tour na “Chiva Rumbera”, esse caminhão adaptado aí de cima, cumprir todos os lerês turístico-cultural-comerciais da ilha, como o Museu do Pirata Morgan, a Igreja Anglicana, o Ojo Soplador (um furinho na pedra que esguicha água quando a maré sobe), etc.

Na minha modesta opinião, a melhor praia da ilha…é em outra ilhota, a Johnny Cay: sabe aquele clichê de agência de viagens, ilhazinha de areia branca, uns coqueirinhos e mar transparente?  Poizé, ta tudo lá. 

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Acompanhado por um zilhão de peixinhos, que não tem a menor cerimônia de nadar entre os banhistas.  Aliás, até um tubarãozinho eu encontrei lá.

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Na verdade,  o melhor de San Andrés está debaixo d’agua.  Caso o turista não seja um “scuba diver”, dá pra ficar só de snorkel nas praias, que já tem muita coisa pra ver.

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(Euzinha travando amizade com uma arraia nativa)

 No Decameron Aquarium tem toda a estrutura para mergulho (dive masters, píer, barcos, cilindros, lastros, etc) e principalmente, uma piscininha natural povoada por peixinhos coloridos que não deixa nada a desejar às profundezas azuis. 

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Para quem gosta de peixinhos, abaixo vai um verdadeiro “aquário” de fotos.

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Tomara que esse pedacinho do caribe se mantenha assim e não cumpra a sina de turismo massificado que o assombra.