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Compañero Diário – Santiago de Cuba

junho 19, 2007

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Depois de uns dias “enamoradas” de Havana resolvemos circular pela ilha, fomos a Varadero (assunto pra outro post)  e Santiago.

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Santiago é o ninho musical de Cuba, todos os “buena vistas” são de lá, e é lá que se produzem os novos talentos.  Os santiagueros se consideram jamaicanos e alimentam uma rixa ancestral com os habaneros.  O campeonato de beisebol (esporte que eles se gabam de ter inventado) paralisa o país, tanto quanto o brasileirão ou os melhores prélios da Copa América. 

A cidade não é tão amigável nem tão linda quanto Havana, o povo ainda não se acostumou com a nova indústria geradora de divisas, o turismo, e trata o turista como um porquinho de barro recheado de euros: tem que dar uns cutucões pra soltar o dinheiro.  Parênteses: as pessoas designadas para trabalhar com turistas (e consequentemente negociar com aquela moeda híbrida, o “convertible”) tem o nome de “arrecadadores de divisas”.  Em Santiago não se vê táxi oficial nem polícia, eu me senti meio desamparada. 

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Estivemos lá durante a parada do 1° de Maio, mas infelizmente não foi possível fotografar, pois eles desfilaram às 5 horas da manhã!!!  Mas deu pra perceber a empolgação do povo.

Santiago é a capital cubana do carnaval, que no calendário deles cai em julho (taí uma boa idéia socialista), evento levado a sério por eles; tão sério que o Fidel aproveitou o frege pra tomar a cidade e começar a revolução por lá, e nem no calor da revolução eles deixaram de brincar o carnaval.

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Santiago foi a capital de Cuba por um longo período, abrigando a sede do governo, que hoje é a Casa de Velázquez, um bem montado museu da colonização, com testemunhos de todos os períodos da dominação espanhola.  A Casa é toda cercada pelas “celosias” (ou muxarabiê, em árabe), aquelas treliças grossas que permitem a quem está dentro enxergar a rua sem ser enxergado. 

Baideuêi, celos são ciúmes ou zêlo.  O público alvo das celosias eram as donzelas de família que deveriam ser preservadas, mas ficavam loucas pra ver o movimento de fora…acho que essa peculiaridade arquitetônica foi uma solução machista pra aplacar a curiosidade de todos os lados!!

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Compañero Diário

junho 4, 2007

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“De  Alto Cedro voy para Macaney,

llego a Cueto voy para Mayarí…”

(El Chan Chan – Compay Segundo)

Nunca consegui entender o que dizia a música, até pedir a uma cubanita pra escrever as palavras e descobrir que eram pequenos vilarejos do oriente cubano.

Eu não tinha me dado conta de que queria TANTO ir pra Cuba até chegar lá.  Eu explico: eu costumo guardar reportagens turísticas que me interessam numa pastinha de papelão “Planos para o Futuro”.  Poizé, de repente tudo deu certo,  a época, as reservas, a disponibilidade, a meteorologia, o tutu…e lá fui eu prá Jóia do Caribe, com meus alfarrábios a tiracolo.  Só quando eu cheguei lá é que eu vi como eram antigas as matérias (Tinha coisas de 1997!).  Claro que algumas dicas não serviam pra mais nada, mas serviram pra orientar meus planos de passeios.  No instante em que me vi em solo cubano me dei conta da grandeza do sonho que eu estava realizando.  Tudo me parecia estranhamente diferente e assombrosamente igual ao Brasil.  Depois do Jet Lag e do cansaço da noite sem dormir cheguei a pensar que era um sonho.

O que mais me impressionou foi a semelhança das cores de lá com as cores daqui.  Cores do céu, das pessoas, das roupas, das ruas, das árvores…

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Eu tava doida pra ver a Habana Vieja, os predinhos antigos, os casarões, os carrões e o povo nas ruas.  Não me decepcionei, mas me surpreendi com a semelhança com o capitalismo. 

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Habana Vieja está sendo febrilmente reformada para atender à demanda da novíssima industria nacional, o turismo.  Isso quer dizer, vai ficar parecendo um pouquinho com a Espanha, o que dá a cor local são os cubanos, o que torna a mistura mais interessante ainda.   

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Eu fiquei com uma dúvida: por que Habana Vieja ficou tão abandonada?  Qual foi o momento em que houve o êxodo de lá?  Eu imagino que o momento da ocupação dos casarões foi durante a revolução, mas pela arquitetura dos imóveis, que se manteve inalterada na região, me parece que o centro histórico perdeu a importância antes do século XX ou ainda, bem no comecinho dele.  Traçando um paralelo inevitável entre Bahia e Cuba, posso lembrar de Belmonte, no sul da Bahia, que foi uma cidade poderosa na época do cacau, mas depois da tal “vassoura de bruxa”, virou uma cidade fantasma.

Voltando um pouco mais na história, descobrimos que Havana é chamada “a chave das Américas” (tem até uma chavinha no brasão da cidade), devido à sua posição estratégica no Caribe.  Por causa dessa posição estratégica, foi construída lá pelos espanhóis a maior fortaleza do continente americano, com paredes enoooormes.

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(essa primeira foto é do Palacio de Los Reyes, com a tal Fortaleza del Morro ao fundo)

Aliás, um dos fatos mais prosaicos em Havana é o “cañonazo”, um ritual militar de tiro de canhão que remonta ao séc. XVII e se mantém até hoje, tiro pelo qual todo mundo acerta seus relógios às 21:00 hs pontualmente, chova, faça sol ou furacão.  Na noite que eu fui (02/05/07) tinha uma lua cheia perfeita, mas (mea culpa, mea máxima culpa) minha câmera estava sem bateria e eu não pude trazer imagens para compartilhar.  Posso garantir que o programa é um dos melhores, pois os sentinelas se vestem a caráter e encenam a coisa toda pra turistada ao ar livre.

Outra coisa encantadora em Havana, além da arquitetura é a música: TODO LUGAR TEM MÚSICA!!!! em todos os bares, restaurantes, hotéis, quiosques de praia e biroscas tem música!  E boa música! Ao vivo! E não é como aqui em Copacabana com um pandeirinho, um tantan e um tamborim…NÃO! É com contrabaixo, guitarras e bongô (com ou sem “tumbadora” ou tantan-gigante).  O que Wim Wenders fez pela auto estima do povo cubano através da música, nem Che Guevara teria conseguido, se ele também cantasse.  O filme Buena Vista Social Clube recolocou Cuba nas paradas de sucesso globais, das quais foi retirada na época que os americanos saíram de lá.  Cuba tem um talento musical QUASE igual ao do Brasil.  Além da salsa (que é um ritmo americano), ouve-se em toda parte o “son”, que é a base do tal filme, que também projetou os velhinhos Compay Segundo e Ibrahim Ferrer mundialmente.  É uma música envolvente, sensual e alegre.  Parece um filhote contentinho do bolero.  Impossível não gostar.

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